Rio Jazz Orchestra - Histórico
Para sabermos a história da Rio Jazz Orchestra, precisamos remontar ao final dos anos 1950, ao "Beco das Garrafas" em Copacabana, quartel-general da bossa-nova. O momento musical era importante e o "Beco" tornara-se o ponto de encontro e de partida dos movimentos musicais, já que lá se reuniam os músicos de jazz e de bossa-nova, tanto amadores quanto profissionais. O objetivo de Marcos Szpilman, um dos músicos amadores, era de organizar uma "big-band", ou seja, a formação máxima e, portanto, a que possui as possibilidades mais amplas de riqueza harmônica. Entretanto, nessa ocasião não foi possível concretizar tal proposta, havendo uma queda gradativa do movimento na década seguinte.
O reencontro de alguns desses músicos ocorreu no início dos anos 1970, quando foram reunidos para um show da Caixa Beneficente do BANERJ, no Teatro Princesa Isabel. Tendo encontrado uma receptividade muito além da expectativa, motivaram-se a continuar o trabalho para tentar alcançar um nível que lhers permitisse uma melhor realização pessoal, além de oferecer ao público uma opção de arte a mais, que todo meio artístico, intelectual e cosmopolita precisa ter.
Ao dedicar-se ao jazz, estilo musical internacional, pois, e executado em quase todos os países do mundo, procurou o grupo, sem exagero de purismo, ser eclético. Daí por diante a formação, ainda pequena demais para uma "big-band", recebeu novos componentes. Nesta fase, todos os participantes eram amadores, exercendo as mais diversas profissões ou atividades: engenheiros, arquitetos, advogados, comerciantes, médicos e estudantes, inclusive de música.
Durante o período de 1971 a 1973 apresentaram-se somente uma vez, no mesmo Teatro Princesa Isabel e para o mesmo evento, ou seja, para o BANERJ. Continuaram, entretanto, a encontrar-se para ensaios e manter o objetivo de criar a "big-band". Em 1973, novos músicos entraram no grupo. Novas apresentações, nesse ano, foram realizadas, dando um considerável impulso à orquestra. Colégio Andrews, Colégio Santo Ignacio, Sala Rui Barbosa, Teatro do IBAM, Teatro Fonte da Saudade, viram surgir a formação já francamente de "big-band". Em 1974, e daí por diante, ocorrem as substituições eventuais, comuns a todas as grandes formações. Passa a ser freqüente a presença dos melhores profissionais brasileiros, e mesmo alguns americanos. Com a melhoria técnica da orquestra cria-se um positivo círculo vicioso: maior número de profissionais gabaritados aproxima-se e a orquestra atinge um nível verdadeiramente profissional. Apresentações no Teatro Gláucio Gil, às segundas-feiras, são seguidas por dois concertos no Teatro Clara Nunes, em "Espetáculos Minister". Dessa mesma maneira, aparecem no SESC da Tijuca e no Instituto de Educação.
Em 1978 tocam na Concha Acústica da UERJ, no show do Projeto Trindade e, também, em vários concertos no Teatro Fonte da Saudade. Ainda com Roberto Araújo, Célia Vaz e Alberto Arantes fazendo os arranjos de música brasileira, a RIO JAZZ ORCHESTRA inicia seu ciclo internacional com a participação no Festival Internacional de Jazz de "Montreaux" - São Paulo - no segundo semestre de 1978, junto a alguns dos maiores nomes de jazz do mundo. No final desse ano, atuava na cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, no Teatro Carlos Gomes, com excelente repercussão, e durante uma semana no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, juntamente com Maurício Einhorn, Alexis Andrade e Guima. Entretanto, parece que a maturidade da RIO JAZZ ORCHESTRA ficou estabelecida na temporada no Teatro Carlos Gomes com a vocalista Leny Andrade, e também ao acompanhar o cantor Billy Eckstine em sua temporada no Canecão, no Rio de Janeiro, bem como em apresentação no Iate Clube do Rio de Janeiro.
O ano de 1980 viu a RIO JAZZ ORCHESTRA iniciar suas atividades na Boite Samba-Flor, na Urca, atuando todas as segundas-feiras durante meio ano. Em agosto, apresentou-se no Rio Jazz Monterrey Festival, quando fez a abertura daquele que foi o primeiro festival internacional de jazz a realizar-se no Rio de Janeiro. Foi, então, citada na revista francesa especializada em jazz "Le Jazz Hot" como uma das melhores orquestras de jazz do mundo. O último evento de importância do ano foi o concerto na Sala Cecília Meirelles para a Sociedade Brasileira de Jazz, então iniciando suas atividades.
Daí em diante participou de numerosos eventos de alto nível, incluindo vários festivais de jazz: V Festival de Jazz de Brasília, Fest Itaipava, Festival de Inverno de Friburgo, Fest Jazz de Ipanema (Prefeitura do Rio de Janeiro), Fest Jazz e Blues da Universidade Estácio de Sá 2002, Fest Jazz e Blues da Universidade Estácio de Sá 2003, Festival de Jazz de Governador Valadares, Festival de Jazz e Blues de Búzios 2004, entre outros. A orquestra foi freqüentemente citada em revista internacionais especializadas, como "Le Jazz Hot", "Jazz Is", "Down Beat" - nessas três com matérias - e nas "Dancing USA" e "Latin Beat" com referências elogiosas.
Atuou também, de 2001 a 2005, em parceria com a Universidade Estácio de Sá, realizando um trabalho cultural e de pesquisa nas áreas musicais de jazz, MPB e música latina.
Possui um disco de vinil gravado nos anos 1990 e, posteriormente, CDs nos selos CID e Universidade Estácio de Sá. Um DVD encontra-se totalmente gravado, aguardado edição final, com lançamento previsto para 2006 no selo Universidade Estácio de Sá.
A sua filosofia de trabalho consiste no uso de arranjos originais, ora cedidos por líderes das orquestras americanas - tais como Thad Jones e Oliver Nelson - ora pelos próprios arranjadores/críticos internacionais como, por exemplo, Leonard Feather, que doou vários. Em alguns casos, o próprio compositor presenteia a RIO JAZZ ORCHESTRA, citando-se entre eles pessoas da estatura de um Sammy Khan, assim como Marcos Valle e os maestros Cipó, Alberto Arantes e Célia Vaz, no âmbito nacional. Entre outros, usa a orquestra trabalhos de: Oliver Nelson, Quincy Jones, Thad Jones, Duke Ellington, Sammy Nestico, Don Costa, Billy May, Henry Mancini, Joe Zawinul, Toshiko Akyioshi, Jerry Dodgion, Cecil Bridgewater, Alan Broadbent, Glenn Miller, Harry James, Tommy Dorsey, Count Basie, Maynard Ferguson, Buddy Rich, Rob McConnell, Woody Herman, Frank Mantooth, etc.
Considerada pelos críticos e aficionados como uma das boas orquestras de jazz em todo o mundo, consegue ser a única orquestra permanente de jazz do país. Embora seja atualmente dirigida por um dos seus membros amadores, remanescente do grupo inicial que a fundou - Marcos Szpilman - a responsabilidade com que é encarado este trabalho, aliada a uma mentalidade de renovação constante, ecletismo e evolução musical, fazem com que o objetivo de manter uma grande orquestra de jazz seja realizado, assim, como o de um movimento musical. São músicos que primam pela qualidade de seu trabalho, pela sensibilidade na execução e pelo respeito à própria música.

